Quatro mil e oitocentos robôs operando em três andares, com mais de 60 mil estantes em circulação permanente. Esse é o cenário do LCY3, o centro de distribuição mais automatizado da Amazon na Europa, localizado em Londres. A convite da empresa, 90 jornalistas de diferentes países — entre eles a reportagem do UOL — acompanharam de perto o funcionamento da unidade durante a quarta edição do evento Delivering the Future, realizada no bairro de Shoreditch.
Após passar por Dortmund, Tóquio e São Francisco, o evento global da Amazon reuniu a imprensa internacional para apresentar os rumos da logística e da inteligência artificial (IA) aplicadas ao varejo. Os números impressionam, mas o que chamou mesmo a atenção foi o comportamento das máquinas em operação.
Robôs que conversam e que sentem
Batizado de Proteus, o robô autônomo de movimentação de carga de uso interno da Amazon ganhou uma nova geração que combina IA com controle por linguagem natural. Isso significa que os funcionários podem direcioná-lo por meio de comandos conversacionais, dispensando programação especializada. Diferente da versão anterior, restrita às áreas de doca, o novo Proteus circula por qualquer ponto do centro de distribuição.
Já o Vulcan representa outro salto: é o primeiro sistema robótico da Amazon com capacidade de sentir objetos pelo toque. Enquanto a maioria dos robôs industriais se apoia em câmeras e sensores, o Vulcan consegue avaliar, pela pressão exercida, se está manuseando um item frágil ou resistente, o que permite navegar com segurança em ambientes densamente embalados.
Entregas por drone no Reino Unido
O serviço Prime Air, voltado para entregas com drones, já opera a partir do centro de distribuição de Darlington, no norte da Inglaterra — primeira cidade fora dos Estados Unidos a receber a modalidade. A operação funciona como um projeto-piloto autorizado pela CAA (autoridade de aviação civil britânica) até o final de 2026, com limite de dez voos por hora e cem entregas diárias em dias úteis.
Para serem transportados por essa via, os pacotes precisam pesar menos de 2,2 kg e são entregues em até duas horas. O cliente seleciona a opção no aplicativo e paga U$ 4,99, o mesmo valor cobrado nos EUA, onde o serviço já funciona em oito localidades. Darlington permanece como a única cidade fora do país norte-americano a contar com a entrega aérea. A viabilidade econômica e a regulação do espaço aéreo ainda passam por testes antes de qualquer expansão em larga escala.
Internet por satélite contra Starlink
Outra frente estratégica apresentada foi o Amazon Leo, serviço de internet via satélite em órbita baixa que concorrer diretamente com o Starlink, de Elon Musk. O lançamento comercial está previsto para meados de 2026, com velocidades de download prometidas de até 1 Gbps (gigabits por segundo) — o dobro da performance típica do serviço rival. Em uma segunda etapa, a cobertura deve alcançar latitudes que abrangem praticamente toda a América Latina, com o Brasil incluso.
Alexa+ entende conversas
Na parte de apresentações, a atração principal ficou por conta da Alexa+. O gerente da Amazon Trevor Wood apresentou os recursos da nova geração do assistente de voz, que eleva a IA conversacional a outro nível: o sistema compreende linguagem casual, frases fragmentadas e até interrupções no meio de uma conversa em andamento.
A Alexa+ é capaz de realizar compras, solicitar corridas, reservar restaurantes e executar tarefas completas — não apenas responder a perguntas. A diferença central está na interpretação de linguagem natural: comandos que antes exigiam frases exatas e entonação específica agora podem ser formulados livremente, como em uma conversa comum.
Questionado sobre a possibilidade de a Alexa+ operar com múltiplos idiomas no mesmo ambiente, traduzindo conversas em tempo real entre pessoas de línguas diferentes, Wood afirmou que esse é o "Northern Star" da equipe — o destino final para onde estão mirando. O executivo também adiantou que a chegada da Alexa+ ao Brasil deve ocorrer em breve.
Brasil: 15 anos de operação
Além das novidades tecnológicas, a Amazon divulgou os números da operação brasileira, que completou 15 anos em 2025 com resultados recordes. No ano passado, a empresa investiu mais de R$ 19 bilhões em infraestrutura, tecnologia e pessoas no país — o equivalente a R$ 52 milhões por dia. No acumulado desde 2011, os aportes superam R$ 75 bilhões, dos quais mais de R$ 65 bilhões contribuíram diretamente para o PIB (Produto Interno Bruto) nacional, conforme levantamento da consultoria Keystone. Somente em 2025, a contribuição para o PIB brasileiro foi de mais de R$ 16 bilhões. No mercado de trabalho, a empresa contabiliza mais de 55 mil empregos diretos e indiretos, crescimento superior a 50% em relação ao ano anterior.
"Ao celebrar 15 anos de dedicação ao Brasil e um investimento acumulado de R$ 75 bilhões, reafirmamos não apenas nosso compromisso de longo prazo com o país, mas também a recepção positiva dos consumidores e o crescimento exponencial dos nossos negócios ao longo dos anos", afirmou Juliana Sztrajtman, presidente da Amazon Brasil.
Conteúdo e esporte
Em entrevista ao UOL, Sztrajtman reforçou que a Amazon já não se posiciona apenas como varejista. A executiva destacou a produção de conteúdo local, com séries como "Tremembé" e "Cangaço Novo", além de títulos originais no Amazon Music. No segmento esportivo, a empresa detém a transmissão exclusiva de finais da NBA (liga norte-americana de basquete), do Brasileirão e o patrocínio das seleções brasileiras de futebol nas categorias feminina, de base e masculina — parceria apontada como estratégica diante da proximidade da Copa do Mundo na América do Norte.
O repórter viajou a convite da Amazon
Nenhum comentário publicado até agora.