Alteração de IMEIs e notas fiscais falsas: entenda esquema usado por criminosos para comercial

Operação em São Paulo prende 15 suspeitos de esquema que adulterava o IMEI de celulares roubados e fabricava notas fiscais falsas para reintroduzir os aparelhos no comércio. Técnicos conhecidos como icloudeiros participavam da fraude.


Fantástico Quarta - 16 de Setembro de 2026 às 12:43
G1 Tecnologia
Reprodução/TV Globo
1 de 1 Após a receptação, os celulares seguiam para núcleos especializados responsáveis por modificar o IMEI

Uma força-tarefa em São Paulo resultou na prisão de 15 pessoas suspeitas de integrar um esquema clandestino voltado a devolver celulares roubados ao comércio. A investigação expôs uma engrenagem na qual cada etapa da fraude era executada por especialistas diferentes, dando aos aparelhos uma aparência totalmente regular.

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1 de 1 Após a receptação, os celulares seguiam para núcleos especializados responsáveis por modificar o IMEI

De acordo com o Ministério Público, técnicos com conhecimento aprofundado participavam de uma das fases mais sensíveis da operação. Na gíria empregada pelos próprios integrantes do grupo, esses profissionais eram chamados de "icloudeiros".

O que é o IMEI

O IMEI (Identificação Internacional de Equipamento Móvel) é o número de série que torna cada celular único. Operadoras, fabricantes e órgãos públicos recorrem a esse código para localizar e controlar dispositivos em circulação.

Conforme a apuração, os criminosos se valiam justamente da falta de integração entre os sistemas que concentram essas informações. A estratégia era gravar nos aparelhos roubados os códigos de identificação de celulares que já tinham saído de uso. Com a troca, o dispositivo deixava de aparecer como produto de crime e passava a circular sem levantar alertas.

A comparação feita pelos investigadores é a da clonagem da placa de um carro furtado. Na prática, o celular perdia qualquer vínculo com o roubo e ganhava uma nova identidade documental.

O papel dos "icloudeiros"

Os chamados "icloudeiros" ficavam responsáveis pela parte mais técnica da adulteração. Conversas e áudios coletados pela polícia revelam negociações para troca de IMEI e para o desbloqueio de aparelhos com restrição de roubo registrada junto às operadoras.

Um dos suspeitos apontados como integrante dessa turma chegou a ser preso durante a operação. Para o Ministério Público, sem a participação desses técnicos, o restante do esquema teria muita dificuldade para colocar os celulares de volta à venda.

As notas fiscais fabricadas

Com os aparelhos já adulterados, o próximo passo era produzir documentação fiscal falsa para conferir aparência de legalidade aos produtos roubados.

Os promotores envolvidos no caso dizem que a fraude ia além da mudança no IMEI. Existia também uma estrutura dedicada a emitir notas fiscais com informações detalhadas de cada celular, incluindo modelo, capacidade de armazenamento, valor e o próprio número de identificação.

Para os investigadores, a combinação entre o código adulterado e a nota fiscal forjada foi o que permitiu inserir os aparelhos de volta no mercado de forma convincente.

Mudança nas regras

Para reduzir esse tipo de fraude, o governo de São Paulo tornou obrigatória a inclusão do IMEI nas notas fiscais eletrônicas de celular. A medida busca aumentar a rastreabilidade dos aparelhos e dificultar a chamada "esquentação" de produtos roubados por meio de documentação falsa.

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