Tecnologia

Apple processa OpenAI e acusa rival de roubar informações secretas para criar novos produtos

A Apple entrou com ação judicial nesta sexta-feira (10) contra a OpenAI e dois ex-funcionários, acusando a criadora do ChatGPT de se aproveitar de informações confidenciais para avançar no mercado de hardware. Mais de 400 ex-colaboradores da fabricante do iPhone migraram para a empresa de inteligência artificial.


Isabela Ortiz, g1 — São Paulo Sábado - 11 de Julho de 2026 às 00:31
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A fabricante do iPhone protocolou nesta sexta-feira (10) uma ação judicial na Justiça americana contra a criadora do ChatGPT e dois ex-colaboradores que migraram para a companhia de inteligência artificial. O processo foi apresentado no Tribunal Distrital dos Estados Unidos para o Distrito Norte da Califórnia.

Na peça, a Apple sustenta que dados sigilosos foram subtraídos de seus arquivos internos e aproveitados para favorecer os planos da OpenAI de ingressar no segmento de hardware, isto é, de equipamentos físicos como celulares, computadores e dispositivos vestíveis. A queixa descreve uma atuação coordenada voltada a obter segredos industriais ligados a projetos de produtos, técnicas de fabricação e a rede de fornecedores.

Os réus incluem a OpenAI Foundation, a OpenAI Group PBC (corporação de benefício público) e a io Products, além dos ex-funcionários da Apple Chang Liu, que atuava como engenheiro sênior de sistemas elétricos, e Tang Yew Tan, ex-vice-presidente de design de produtos do iPhone e do Apple Watch.

As acusações contra os ex-funcionários

De acordo com a narrativa apresentada ao tribunal, Liu teria deixado de devolver um notebook corporativo ao sair da empresa e, logo depois, aproveitado uma brecha no sistema de autenticação para acessar remotamente a rede interna da Apple. Antes do desligamento, ele teria baixado "dezenas de arquivos confidenciais relacionados a hardware".

Já Tan é acusado de ter enviado para o próprio e-mail informações estratégicas envolvendo a cadeia de fornecedores e análises internas do setor. A fabricante do iPhone também sustenta que o ex-executivo incentivou colegas a levarem componentes da empresa para entrevistas de emprego na OpenAI, em sessões informais de demonstração. Em um trecho da ação, a Apple reproduz a fala de um candidato a uma vaga na companhia de inteligência artificial que afirmou "nem sabia que podíamos pegar essas coisas do escritório".

A empresa destaca que mais de 400 ex-funcionários da Apple atualmente trabalham na OpenAI e considera "pouco surpreendente" que parte deles detenha conhecimento sobre assuntos confidenciais da antiga empregadora.

A queixa vai além e afirma que a OpenAI teria direcionado perguntas excessivamente específicas a fornecedores sobre processos produtivos e componentes adotados pela Apple, informações que, segundo a fabricante, somente alguém com acesso interno poderia deter. A companhia de inteligência artificial também teria persuadido um parceiro comercial a aplicar técnicas de acabamento em metal criadas pela Apple em projetos próprios, supostamente ignorando cláusulas contratuais.

"Só porque a OpenAI agora emprega pessoas que antes eram responsáveis pelos segredos comerciais da Apple, isso não dá à empresa o direito de usar essas informações para acelerar seus esforços em hardware", registrou a fabricante do iPhone na ação.

Disputa bilionária no setor de inteligência artificial

O litígio agrava a relação já estremecida entre as duas gigantes de tecnologia, marcada nos últimos meses pela competição por profissionais qualificados e por tecnologias consideradas estratégicas. Procurada pela Reuters, a OpenAI não respondeu de imediato ao pedido de comentário.

A rivalidade ocorre em meio à corrida pelo desenvolvimento de novos produtos baseados em inteligência artificial. Em 2024, a Apple anunciou a integração da plataforma "Apple Intelligence" em aplicativos como a Siri e incorporou o ChatGPT aos seus dispositivos. A parceria permite que usuários do iPhone acessem respostas do chatbot por meio da assistente virtual e contratem planos pagos da OpenAI diretamente pelas configurações do sistema operacional iOS (software que equipa iPhones e iPads).

No ano passado, a OpenAI ampliou sua atuação para além do universo de softwares ao adquirir a startup de hardware io Products, fundada pelo ex-designer-chefe da Apple Jony Ive, em um negócio avaliado em US$ 6,5 bilhões. O acordo consolidou a estratégia da empresa de inteligência artificial de criar produtos físicos voltados ao consumidor. Ive, contudo, não figura entre os réus.

No mês passado, a Apple disponibilizou uma atualização da assistente virtual Siri que vinha sendo adiada havia meses. A companhia havia prometido melhorias significativas para a ferramenta há dois anos, mas os recursos foram sucessivamente postergados.

*Com informações da Reuters

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