Há pelo menos 12 meses, uma ofensiva contínua vem montando mais de 330 endereços fraudulentos com o objetivo de tirar dinheiro de pessoas interessadas em shows e competições esportivas em diferentes regiões do país. A informação foi divulgada pela Kaspersky, companhia especializada em segurança digital.
Passo a passo da armadilha
A estratégia começa com cópias quase idênticas da identidade visual de uma conhecida plataforma de venda de ingressos. Quem pesquisa um evento no Google ou no Instagram pode encontrar propagandas pagas e, ao tocar no link impulsionado, é levado para uma réplica do site original.
Antes de qualquer compra, a vítima precisa preencher um cadastro com dados pessoais. Quando chega à etapa de pagamento e tenta usar cartão de crédito, opção que possibilita pedir o estorno da cobrança, a página exibe uma falha e informa que o sistema de cartões está "temporariamente indisponível".
Diante do problema aparente, o site passa a aceitar apenas Pix, o que apressa a retirada do dinheiro. Os valores são logo repassados a outras contas e convertidos em criptomoedas, o que dificulta a recuperação do montante pelo MED (Mecanismo Especial de Devolução), do Banco Central.
Ingressos de Fórmula 1, Xuxa e turnês que não existem
O catálogo de bilhetes falsos é amplo e inclui competições esportivas, festivais e espetáculos de artistas brasileiros e estrangeiros. Entre as iscas estão os Grandes Prêmios de Fórmula 1 em São Paulo previstos para 2025 e 2026, além de MotoGP, Rio Open, Cirque du Soleil e Monsters of Rock.
Também há golpes com apresentações que sequer foram anunciadas. O monitoramento identificou ingressos falsos para um suposto show da banda canadense Rush no Brasil em 2027, quando a vinda do grupo ainda não estava confirmada. Foram encontradas ainda datas inventadas de System of a Down, Ed Sheeran, Iron Maiden, Roberto Carlos, Xuxa, Jão e Luan Santana.
Como evitar cair na armadilha
Para comprar com segurança, a recomendação é digitar o endereço oficial da bilheteria diretamente no navegador, deixando de lado os anúncios pagos. Também convém desconfiar dos primeiros resultados de busca marcados como "Patrocinado" e não abrir links recebidos por e-mail ou pelas redes sociais.
Quando o cartão é recusado na finalização da compra, o risco de fraude é grande. Se a loja alegar problemas técnicos e cobrar pagamento imediato por Pix, o mais prudente é encerrar a transação na hora.
Atenção também às pré-vendas. Pedidos de pagamento antecipado por Pix para supostas "pré-reservas físicas" são golpe, e antivírus atualizados ajudam a bloquear automaticamente páginas clonadas.
Outra medida útil é configurar alertas de movimentação no banco. Com notificações instantâneas por mensagem de texto (SMS), e-mail ou aplicativo, cada operação aparece em tempo real, o que permite reconhecer e contestar uma cobrança indevida em poucos minutos.
Por fim, vale manter uma camada de proteção no dia a dia. Programas de segurança confiáveis, instalados em computadores e celulares, protegem os pagamentos online, barram conexões suspeitas e impedem o acesso a páginas falsas.