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Juiz nos EUA permite que Meta realize demissões em massa feitas com uso de IA

Juiz federal da Califórnia rejeita pedido de 26 funcionários da Meta para suspender as demissões em massa iniciadas em maio. Trabalhadores alegam que foram escolhidos por sistemas de inteligência artificial por terem deficiência ou tirado licença médica.


Sexta - 17 de Julho de 2026 às 19:13
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Processo acusa Meta de usar inteligência artificial na seleção de cargos a serem cortados Imagem: Gonzalo Fuentes/Reuters

Vinte e seis trabalhadores da Meta tentaram, sem sucesso, barrar na Justiça norte-americana a sequência de cortes de pessoal anunciada pela gigante da tecnologia. O juiz distrital William Orrick, da vara de Oakland, na Califórnia, indeferiu nesta semana o pedido de liminar que impediria a empresa de concluir a demissão em massa prevista para começar em 22 de julho.

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Processo acusa Meta de usar inteligência artificial na seleção de cargos a serem cortados Imagem: Gonzalo Fuentes/Reuters

Em despacho, Orrick explicou que os autores da ação não comprovaram que a perda do emprego representaria o tipo de prejuízo irreversível exigido para a concessão de uma ordem de emergência. Com isso, o magistrado manteve o cronograma original da Meta, embora o mérito das reclamações ainda precise ser analisado em arbitragem privada.

O processo, aberto na segunda-feira, reúne relatos de funcionários que afirmam ter sido escolhidos justamente por integrarem grupos protegidos. Segundo a ação, a empresa teria utilizado sistemas baseados em IA (inteligência artificial) para medir produtividade e acompanhar o uso de tokens de IA, penalizando quem se ausentou por questões de saúde, deficiência ou para cuidar de familiares.

Ainda conforme os autores, a avaliação de desempenho também passou a considerar, em parte, o quanto cada trabalhador adotava ferramentas de IA em sua rotina. Este é o primeiro caso conhecido nos Estados Unidos em que uma grande corporação é questionada judicialmente por supostamente usar inteligência artificial para definir quem será desligado.

A Meta, em nota, negou qualquer irregularidade e disse que todas as decisões foram tomadas por humanos. A empresa e os advogados dos demandantes não se manifestaram de imediato após a decisão judicial.

Em meio à corrida pela IA

Em maio, a Meta já havia comunicado que quase 8 mil funcionários — cerca de 10% do quadro global — seriam desligados. A medida foi apresentada como parte de uma reestruturação para liberar recursos e acelerar investimentos em inteligência artificial.

No recurso apresentado ao tribunal, os demandantes pediam que Orrick determinasse a suspensão dos cortes até que o caso fosse resolvido na arbitragem. O juiz lembrou, durante a audiência, que existe outro pedido de tutela antecipada (medida cautelar de prazo mais longo) pendente, sobre o qual deverá se manifestar no próximo mês.

Planos de saúde e ações na mira

Durante a sessão, os advogados dos trabalhadores também alertaram para riscos além do salário. Eles afirmaram que os funcionários correm o perigo de perder opções de ações ainda não totalmente adquiridas e a cobertura de planos de saúde, o que afetaria o acompanhamento médico em caso de gravidez e outras condições.

"Não há como voltar atrás na criação de laços com um recém-nascido, no parto ou em tratamentos médicos ativos", declarou a advogada Barbara Cowan a Orrick.

A representante da Meta, Erin Connell, rebateu a tese e disse que os trabalhadores estão perdendo apenas o seguro subsidiado pelo empregador, e não a cobertura total. Para ela, são danos típicos que podem ser revertidos em eventual vitória na arbitragem.

Arbitragem em debate

Os trabalhadores reconhecem que os contratos firmados com a Meta obrigam a resolução

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