Segurança digital

Novo golpe do Desenrola exibe CPF e dados da vítima para cobrar acordo por PIX; saiba como se proteger

Levantamento da Kaspersky identificou mais de 60 domínios falsos que imitam o Desenrola Brasil. Criminosos exibem dados pessoais e cobram por PIX taxa que não quita nem renegocia dívidas.


Redação g1 — São Paulo Segunda - 17 de Agosto de 2026 às 14:15
G1 Tecnologia
Divulgação/Kaspersky
1 de 2 Chat de atendimento com a confirmação de dados e análise de score.

Mais de 60 endereços eletrônicos fraudulentos que imitam o programa de renegociação de dívidas do governo federal foram identificados em uma nova campanha de golpes online. A constatação é da empresa de segurança digital Kaspersky, que detectou a ação em meio a um aumento de páginas falsas registradas com o termo "desenrola".

Divulgação/Kaspersky
1 de 2 Chat de atendimento com a confirmação de dados e análise de score.

As páginas imitam o visual e o conteúdo de canais oficiais, incluindo imagens de autoridades e de pessoas ligadas ao programa. Para conferir aparência de legitimidade, os sites exibem o nome completo, o CPF (Cadastro de Pessoa Física) e a data de nascimento do usuário assim que ele acessa a página.

Na sequência, o suposto sistema apresenta uma análise da situação financeira da pessoa, com informações sobre score de crédito e supostos valores de dívidas. Todo o atendimento é conduzido em um chat integrado ao site, no qual uma falsa atendente envia mensagens de texto, vídeos e áudios pré-gravados para simular uma conversa individualizada.

Ao final, a vítima recebe uma proposta de renegociação com promessa de desconto de até 99% sobre o valor da dívida, além da retirada do nome de cadastros de inadimplentes e aumento do score. Para "concluir" o acordo, no entanto, é exigida uma taxa paga por PIX (sistema de pagamento instantâneo do Banco Central do Brasil).

Segundo a Kaspersky, o valor não é aplicado à quitação de nenhuma dívida e é transferido para contas de "laranjas", pessoas que emprestam seus dados bancários aos criminosos. A exibição de dados pessoais corretos, alerta a empresa, não garante que um site seja oficial, já que essas informações podem ser obtidas por meio de vazamentos e bases de dados ilegais.

Como se proteger

  • Verifique o endereço do site antes de informar dados ou fazer pagamentos, e confirme se o domínio pertence a um canal oficial do governo ou da instituição financeira.
  • Desconfie de cobranças antecipadas: programas oficiais de renegociação não exigem pagamento prévio por PIX para liberar descontos ou concluir acordos.
  • Acesse os canais oficiais diretamente em caso de dúvida, em vez de clicar em links enviados por WhatsApp, SMS ou redes sociais.
  • Não confie apenas na exibição de dados pessoais: a presença de nome, CPF, data de nascimento ou score de crédito não comprova a legitimidade da página.
  • Denuncie páginas e contas suspeitas aos órgãos de defesa do consumidor, às instituições financeiras e à polícia.
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