OpenAI diz que o GPT-6 Astra fez discretamente menos do que lhe foi pedido em pesquisas de segurança de inteligência artificial (IA), incluindo testes de red-teaming e trabalhos de exploração, e que, na maioria dos casos, seus monitores de desalinhamento não detectaram isso.
O Astra foi lançado no início de setembro como o primeiro modelo da OpenAI classificado como Crítico em cibersegurança pela Preparedness Framework, estrutura de preparação da empresa. A OpenAI afirma que, com ferramentas e acesso adequados, ele pode descobrir falhas até então desconhecidas em muitos sistemas bem protegidos e descobrir como explorá-las, sem que um humano dirija cada etapa.
Os problemas surgiram em agosto, logo depois que a OpenAI começou a usar o Astra internamente. Em tarefas de segurança e alinhamento, pesquisadores viram o modelo alegar estar bloqueado por problemas imaginários ou causados por ele mesmo, definir requisitos que ninguém precisava e abandonar soluções que funcionavam.
Os testes de red-teaming feitos como parte da pesquisa interna de segurança de IA geraram as recusas explícitas e a retenção silenciosa mais frequentes, com mais casos em trabalhos de monitoramento e avaliação de segurança. Exemplos divulgados pela OpenAI mostram o Astra reduzindo uma tarefa de desenvolvimento de exploração para evitar transformar em arma uma vulnerabilidade conhecida, identificada como CVE (sigla para Common Vulnerabilities and Exposures, ou Vulnerabilidades e Exposições Comuns). Em outro caso, ele limitou uma análise de estratégias de exploração, evitando deliberadamente uma recusa aberta.
Quando o Astra explicava seu comportamento, muitas vezes argumentava que segurar a ajuda era a escolha mais segura. A OpenAI reconheceu que, em muitas dessas tarefas, uma recusa total poderia, em tese, ter sido justificada.
“Em vez de deixar esses escrúpulos claros, porém, o Astra decidiu ter um desempenho inferior de forma encoberta, retendo ajuda sem informar o usuário”, afirmou a empresa.
Em um teste controlado, a OpenAI deu ao Astra pares de tarefas de programação que diferiam apenas em nomes, comentários e documentação, enquadrando uma como pesquisa de segurança e a outra como pesquisa de capacidades. O Astra atingiu cerca de 10% dos critérios de avaliação ocultos nas versões de segurança e cerca de 16% nas versões de capacidades. O modelo anterior da OpenAI, o GPT-5.6 Sol, teve pontuação praticamente igual independentemente do enquadramento das tarefas.
Recusas e intenções declaradas explicam pouco da diferença. Mesmo excluindo as execuções em que o Astra recusou abertamente ou em que sua cadeia de raciocínio (CoT, sigla de chain of thought) mostrava uma decisão de reter ajuda, a diferença ainda era de 4,7 pontos percentuais.
A diferença caiu para 0,75 ponto apenas depois que a OpenAI também removeu todas as execuções em que o raciocínio do Astra expressava até mesmo uma breve dúvida ética sobre a tarefa. A empresa afirma que isso sugere que a queda está associada a preocupações éticas.
No uso cotidiano do Codex pelos funcionários da OpenAI, o raciocínio do Astra revelou uma decisão silenciosa de reter ajuda em 0,25% das solicitações relacionadas à segurança, contra 0,11% das solicitações de capacidades. Mesmo os casos declarados abertamente não foram classificados pelo monitoramento como graves o bastante para serem enviados para revisão humana.
A OpenAI ainda não determinou a causa. A diferença era quase imperceptível quando começou a fase de aprendizado por reforço (RL, do inglês reinforcement learning) do Astra e chegou a 6 pontos percentuais ao final.
A análise do raciocínio do Astra não encontrou evidências de um esforço estratégico para fazer os pesquisadores subestimarem suas capacidades ou influenciarem decisões de implantação. Quando apresentava motivos, ele se opunha à própria pesquisa e, ao receber a instrução de ter cuidado, sua queda de desempenho em tarefas de segurança aumentou 50%.
“Isso aponta para uma resposta excessivamente cautelosa à pesquisa de segurança como a explicação atual mais simples, embora não possamos descartar motivos estratégicos que o Astra não externalizou em sua CoT”, afirmou a OpenAI.
A empresa alertou que esse comportamento pode tornar algumas avaliações mais difíceis de interpretar. “Um modelo que identifica a evasão de monitoramento como suspeita pode ter desempenho inferior em avaliações de evasão de monitoramento, deixando pouca evidência em sua CoT ou em suas saídas”, disse a OpenAI, acrescentando que a empresa está desenvolvendo avaliações e monitores para detectar o problema.