Pesquisadores de segurança identificaram vários computadores na rede da Casa Branca que funcionam como nós de saída de proxies residenciais.
Segundo a Layer3 Intel, seis endereços de protocolo de internet (IP) do sistema autônomo (AS) 2650, reservado para o Gabinete Executivo do Presidente, foram usados por 28 serviços de proxy residencial entre 5 de outubro e 3 de novembro.
“Nosso pipeline de enumeração de proxies residenciais saiu pela rede da Casa Branca 236 vezes distintas”, afirma a Layer3 Intel.
Segundo a empresa de segurança, essas saídas podem ser usadas por qualquer pessoa que se cadastre em um serviço público de proxy residencial para enviar requisições por meio delas.
A maior parte da atividade observada ocorre no período da noite, entre 17h e meia-noite, no horário da Costa Leste dos EUA, e quase não há registros no início da manhã.
“Esse padrão sugere uma pessoa, e não uma rede pública de Wi-Fi para visitantes: alguém que usa regularmente a rede da Casa Branca até tarde da noite, cujo dispositivo está infectado com um kit de desenvolvimento de software (SDK) de proxy”, observa a Layer3 Intel.
Segundo a startup de cibersegurança Synthient, especializada em identificar proxies residenciais, redes privadas virtuais (VPNs) e infraestrutura de bots, o tráfego vem de máquinas com Windows 11 que executam o InfaticaSDK.
Com sede em Singapura, a Infatica é uma provedora de inteligência de dados da web e de serviços de proxy que afirma oferecer acesso a mais de 45 milhões de endereços IP residenciais, móveis e de datacenter, obtidos de forma ética, em todo o mundo.
O fundador da Infatica, Vladimir Fomenko, também é dono da King Servers, provedora de hospedagem na web e de infraestrutura de TI, que hospedou “seis dos oito endereços de internet” usados por hackers patrocinados pelo Estado russo nos ataques às eleições dos EUA de 2016, segundo o jornalista investigativo Brian Krebs, em reportagem.
De acordo com o relatório da Layer3 Intel, os proxies residenciais chegaram a todos os cantos do planeta, inclusive a alguns dos lugares mais isolados, como o território britânico no Atlântico Sul de Santa Helena, Ascensão e Tristão da Cunha.
“Registramos 413 endereços e mais de 32 mil observações ali, divididas entre a Starlink e a provedora local de internet da ilha, a Sure Saint Helena”, afirma a empresa.
Também foram observadas saídas de proxies residenciais na Antártida, no Arquipélago de Chagos, nas Malvinas, na Ilha Norfolk, em Pitcairn, na Geórgia do Sul, em Svalbard e em Tokelau.