Uma grande rede hospitalar do Novo México trabalhou para resolver um problema de segurança cibernética na segunda-feira, que a obrigou a enviar ambulâncias para outros hospitais e deixou o estado sem um pronto-socorro capaz de atender os casos mais graves de trauma.
O Sistema de Saúde da Universidade do Novo México (UNM) pediu que pessoas não fossem ao seu principal hospital em Albuquerque e cancelou consultas em suas mais de 30 clínicas. O sistema afirmou que estava trabalhando para resolver o problema, cuja extensão e natureza não estavam claras de imediato.
A rede hospitalar realiza cerca de 900 mil consultas ambulatoriais e recebe 100 mil atendimentos de emergência por ano, segundo seu site. Ela opera o único centro de trauma de nível 1 do estado.
Os Serviços de Saúde Presbiteriana e o Sistema de Saúde Lovelace, outros dois grandes prestadores de serviços de saúde no Novo México, disseram que estavam coordenando ações com o Sistema de Saúde da UNM, inclusive com o recebimento de pacientes adicionais.
Em comunicado, o Sistema de Saúde da UNM informou que seus hospitais e clínicas começaram a retomar as operações em etapas mais tarde no dia.
Vários funcionários do Sistema de Saúde da UNM disseram ter visto mensagens em seus computadores na manhã de segunda-feira, enquanto trabalhavam, que afirmavam ter roubado dados de estudantes e funcionários, além de informações de pacientes.
Um porta-voz do sistema de saúde não quis comentar e afirmou que o caso segue como uma investigação ativa das autoridades. A porta-voz do FBI (Departamento Federal de Investigação dos EUA) em Albuquerque, Margot Cravens, disse que a agência estava “auxiliando nosso parceiro”, mas não quis dar mais detalhes.
A Associated Press deixou mensagens por e-mail e telefone pedindo comentários ao Departamento do Xerife do Condado de Bernalillo e à Polícia de Albuquerque, mas não obteve resposta até o fechamento desta matéria.
O incidente ocorre em meio à crescente preocupação com a segurança dos sistemas digitais que sustentam serviços essenciais, desde os bancos até o atendimento médico.
Pedidos de resgate e invasões recorrentes
Incidentes que afetam hospitais, incluindo pedidos de resgate, acontecem há cerca de uma década, afirmou Josephine Wolff, professora de política de segurança cibernética da Universidade Tufts.
Invadir um sistema para exibir uma mensagem em computadores é algo bastante incomum, disse Wolff. Segundo ela, o episódio de segunda-feira mostra “o quanto ainda temos de trabalho para nos defender melhor”.
Impacto nos atendimentos
Na tarde de segunda-feira, na entrada principal do hospital em Albuquerque, funcionários com camisetas de uniforme em tom turquesa sentaram-se em cadeiras que bloqueavam a sala de espera e informaram aos pacientes que suas consultas poderiam ser canceladas.
Em um centro médico no subúrbio de Albuquerque chamado Rio Rancho, dois seguranças na entrada pediram aos pacientes que chegavam para consultas que remarcassem o atendimento.
O Centro de Ciências da Saúde da UNM, o maior centro médico acadêmico do estado, cancelou as aulas na segunda-feira.