Telecomunicações

Anatel bloqueia empresas que fizeram mais de 4 milhões de chamadas adulteradas

A Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel) determinou o bloqueio de duas empresas responsáveis por mais de 4,3 milhões de ligações com número de origem adulterado, em um universo que ultrapassa 203 milhões de chamadas irregulares entre setembro de 2025 e junho de 2026.


Redação g1 Sexta - 18 de Setembro de 2026 às 13:44
G1 Tecnologia
Priscilla Du Preez/Unsplash
1 de 2 Empresas afirmam que sistema anti-spam da Vivo impediu ligações legítimas

A Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel) ordenou nesta semana o bloqueio de duas prestadoras que, juntas, originaram mais de 4,3 milhões de chamadas com identificação de origem adulterada — prática conhecida como spoofing — em um período de pouco mais de um ano.

Priscilla Du Preez/Unsplash
1 de 2 Empresas afirmam que sistema anti-spam da Vivo impediu ligações legítimas

Em nota oficial publicada na quarta-feira passada (16), o órgão regulador informou que esse número está inserido em um cenário bem mais amplo: foram contabilizados aproximadamente 203 milhões de telefonemas com o número do chamador modificado entre setembro de 2025 e junho de 2026. Diante da dificuldade em rastrear a origem de parte do tráfego, a Anatel determinou que as operadoras envolvidas apresentem a procedência das chamadas. (continue lendo)

As duas empresas alvo da medida são a Voros Telecomunicações, que fornece infraestrutura para companhias com alto volume de ligações, e a ELO Contact Center, que opera serviços de telemarketing para a TIM.

No caso da Voros, a Anatel entendeu que houve prestação clandestina de serviço de telecomunicações. Com a decisão, as operadoras Algar, Datora e Foco ficam impedidas de ceder parte de sua capacidade de tráfego à empresa.

Já a ELO Contact Center foi apontada por violar normas do setor ao realizar chamadas com números fora do padrão regulamentar. A agência também determinou que a TIM, sua parceira, bloqueie, no prazo de 30 dias, todas as ligações que tenham aquela central como origem.

Para a Anatel, o objetivo das medidas é coibir a adulteração do número originador das chamadas. Segundo o órgão, esse tipo de manipulação "dificulta a identificação do efetivo originador das comunicações e pode ser utilizada em fraudes ou outras condutas irregulares".

Prazo para apresentação de relatórios

Além das duas empresas, as operadoras TIM, Algar, Itelco e Surf Telecom também foram notificadas por concentrarem volume expressivo de tráfego irregular. Elas terão até 30 dias para entregar à Anatel relatórios detalhados sobre a origem das chamadas adulteradas apontadas pela fiscalização.

Em sua defesa, a Voros afirmou à agência que não oferece serviços de chamadas destinados à rede pública e que a responsabilidade pelo identificador de origem cabe às operadoras parceiras.

A ELO Contact Center alegou que as falhas partiram de um fornecedor e que já tomou providências para corrigir o problema. A TIM, por sua vez, declarou que não tinha ingerência sobre a irregularidade e que já aplicou penalidades contratuais à parceira.

Algar e Surf afirmaram que as chamadas com origem adulterada decorreram de contratos de intermediação firmados com outras empresas, sem passar por suas redes próprias. A Itelco, conforme a Anatel, não respondeu às intimações do órgão.

Anatel Telefonia Fraudes