A startup Thinking Machines, com sede em São Francisco, apresentou nesta quarta-feira seu primeiro modelo de inteligência artificial (IA) de uso geral. Batizado de Inkling, o sistema chega ao mercado de código aberto — quando o usuário pode baixar, rodar e modificar a tecnologia — num momento em que o Ocidente busca alternativas às ofertas dominantes vindas da China.
Origem da empresa
A companhia foi fundada no ano passado por Mira Murati, que ocupou o cargo de diretora de tecnologia na OpenAI. Antes do Inkling, a startup já havia lançado em outubro o Tinker, produto voltado à personalização de modelos de IA. O Tinker e outras plataformas voltadas a desenvolvedores já disponibilizam o novo modelo, segundo a empresa.
Com 975 bilhões de parâmetros — elementos internos que orientam o processamento de informações pelo sistema —, o Inkling figura entre os maiores modelos abertos já divulgados. O porte coloca a tecnologia em patamar próximo ao das principais iniciativas chinesas do setor.
Cenário competitivo
O ecossistema de código aberto ocidental perdeu força nos últimos anos, sobretudo após a Meta redirecionar sua estratégia para soluções proprietárias depois do lançamento aquém do esperado do Llama 4. O vácuo deixado pela empresa foi ocupado por modelos chineses, que passaram a ser adotados em larga escala como substitutos aos sistemas fechados de alto custo.
O fundo de hedge Bridgewater Associates, por exemplo, recorreu ao Tinker para criar uma versão customizada do Qwen, modelo desenvolvido pela chinesa Alibaba. Segundo a empresa, o resultado superou o desempenho de modelos proprietários relevantes, com custos significativamente menores.
Desempenho nos testes
Em sua divulgação, a Thinking Machines publicou uma série de benchmarks comparando o Inkling a sistemas fechados de gigantes como Anthropic, Google e OpenAI, além das principais alternativas abertas, em sua maioria originadas de laboratórios chineses.
Embora os concorrentes mantenham superioridade no desempenho geral, o Inkling se mostrou competitivo sobretudo em tarefas voltadas a agentes — sistemas autônomos capazes de executar ações em nome do usuário —, o que pode despertar o interesse de empresas e desenvolvedores.