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Quanto as Big Techs já comprometeram com IA? A conta chega a R$ 5,6 trilhões

Microsoft, Meta, Oracle, Amazon e Alphabet assinaram contratos de cerca de US$ 1,09 trilhão em pagamentos futuros, principalmente para alugar data centers que serão usados na expansão da inteligência artificial. Os acordos ainda não começaram a vigorar, mas já garantem boa parte dos investimentos em IA dessas gigantes da tecnologia.


Redação g1 — São Paulo Quarta - 05 de Agosto de 2026 às 19:27
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Inteligência Artificial
1 de 2 Inteligência artificial ganha espaço como diferencial competitivo nas empresas

A corrida pela inteligência artificial (IA) já tem um preço concreto: US$ 1,09 trilhão, o equivalente a aproximadamente R$ 5,6 trilhões. Esse é o volume que Microsoft, Meta, Oracle, Amazon e Alphabet se comprometeram a pagar, em grande parte para alugar data centers, isto é, grandes centros de processamento de dados, que sustentarão a expansão da IA. Os números foram levantados pela Reuters com base em documentos divulgados pelas próprias companhias.

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Embora os contratos já estejam assinados, eles ainda não começaram a vigorar. Por essa razão, os compromissos não figuram como dívidas nos balanços financeiros. De acordo com as regras contábeis, a obrigação só passa a ser registrada quando a instalação está disponível para uso. Até esse momento, os pagamentos previstos aparecem apenas em notas explicativas que acompanham as demonstrações financeiras.

O volume contratado é quase quatro vezes maior do que os cerca de US$ 285 bilhões (R$ 1,46 trilhão) que essas mesmas empresas já mantêm como obrigação registrada em seus balanços. A diferença evidencia a magnitude da infraestrutura de IA que está sendo negociada pelas gigantes de tecnologia, mas que ainda não aparece nas principais métricas financeiras do setor.

Caso a demanda por inteligência artificial mantenha o ritmo atual, os novos data centers serão essenciais para ampliar a oferta de serviços de computação em nuvem, base usada para armazenar dados e executar aplicações de IA. O cenário oposto, no entanto, preocupa: uma desaceleração poderia deixar as empresas presas a contratos caros e de longo prazo para manter estruturas ociosas.

Esses compromissos não estão ocultos e já podem ter sido considerados por agências de classificação de risco. Ainda assim, o volume chama atenção porque revela a dimensão da expansão da infraestrutura para IA que ainda não está refletida nos indicadores financeiros tradicionais das companhias.

Vale destacar que os US$ 1,09 trilhão não podem ser somados diretamente à dívida das empresas. O valor representa pagamentos distribuídos ao longo de muitos anos, enquanto as dívidas registradas nos balanços são calculadas pelo valor presente desses compromissos, conforme critérios contábeis.

Oracle é a mais exposta

Entre as empresas analisadas, a Oracle é a que apresenta a maior concentração de compromissos futuros. A companhia declarou US$ 260 bilhões (R$ 1,33 trilhão) em contratos ainda não iniciados, volume quase sete vezes superior aos US$ 37,9 bilhões (R$ 194,8 bilhões) já registrados em seu balanço.

A própria Oracle reconheceu o risco. A empresa alertou que os prazos, preços e condições desses contratos de aluguel podem não coincidir com os termos firmados com seus clientes. Se parte da carteira deixar de renovar os serviços ou atrasar pagamentos, a companhia continuará arcando com os custos dos data centers contratados.

No fim de maio, a dívida da Oracle equivalia a aproximadamente 4,4 vezes o Ebitda (sigla em inglês para earnings before interest, taxes, depreciation and amortization, indicador que mede a geração de caixa operacional). Quando os contratos de aluguel já contabilizados também entram no cálculo, o índice sobe para cerca de 5,7 vezes.

A agência de classificação de risco S&P Global Ratings afirmou que já incorporou os US$ 260 bilhões em contratos futuros da Oracle em sua análise de endividamento e projeta que o indicador fique próximo de 4,4 vezes o Ebitda no ano fiscal de 2027.

Quanto cada empresa já comprometeu

A Microsoft lidera o ranking, com US$ 329 bilhões (R$ 1,69 trilhão) em contratos futuros, ante US$ 88,5 bilhões (R$ 454,89 bilhões) já lançados no balanço.

A Meta informou US$ 279 bilhões (R$ 1,43 trilhão) em contratos ainda não iniciados. Em julho, a empresa fechou mais US$ 68 bilhões em novos acordos voltados a data centers. Com esse acréscimo, o total conhecido de compromissos das cinco companhias passa a cerca de US$ 1,16 trilhão (R$ 5,96 trilhões).

A Alphabet declarou US$ 85,2 bilhões (R$ 437,9 bilhões) em contratos futuros, enquanto a Amazon registrou US$ 137,2 bilhões (R$ 705,2 bilhões). No caso da Amazon, a comparação é menos direta porque o valor inclui não apenas data centers, mas também contratos de aluguel de armazéns, escritórios, aeronaves e veículos.

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