A Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel) e alguns tribunais federais decidiram interromper, por cautela, o uso do Sistema Eletrônico de Informações (SEI), ferramenta de gestão de processos administrativos, depois que foram encontradas duas falhas sérias de segurança na linguagem PHP.
O PHP está entre as linguagens mais utilizadas para o desenvolvimento de sites. Já o software de mesmo nome, livre e de código aberto, é responsável por interpretar e executar o código escrito nessa linguagem. Serviços como Facebook, Wikipedia e WordPress utilizam a tecnologia, assim como o Moodle, muito usado por instituições de ensino, e o Magento, focado na criação de lojas virtuais.
Por meio dessas brechas, invasores podem assumir o comando dos servidores que mantêm os sites no ar, sem precisar de login ou senha. A boa notícia é que uma atualização que corrige o problema já está disponível. A falha foi descoberta com o apoio da inteligência artificial (IA).
O governo federal publicou um alerta pedindo que órgãos públicos atualizem seus softwares sem demora. O comunicado saiu na quarta-feira (21) e partiu do Centro Integrado de Segurança Cibernética do Governo Digital (CISC).
O g1 ouviu o Gabinete de Segurança Institucional da Presidência da República (GSI), que informou ter "alertado os gestores de Tecnologia da Informação da Administração Pública Federal para que atualizem imediatamente seus sistemas".
Já o Ministério da Gestão e da Inovação em Serviços Públicos (MGI) relatou: "Essa situação foi prontamente comunicada a todas as unidades de tecnologia do governo federal para retirar temporariamente do ar todos os sistemas desenvolvidos em PHP".
Por enquanto, não há registros de grandes impactos no país, de acordo com especialistas ouvidos pelo g1.
Como ficou a situação do SEI no Brasil
A Anatel interrompeu o acesso externo ao SEI e também a outros serviços da agência disponíveis na internet. Segundo a própria agência, a providência é preventiva e visa proteger sistemas e informações enquanto são realizadas avaliações técnicas.
Na prática, o SEI permite que órgãos e entidades públicas criem, organizem e acompanhem documentos e processos administrativos em formato digital.
Já o Tribunal Regional Federal da 4ª Região (TRF4) e o Tribunal Regional Federal da 1ª Região (TRF1) confirmaram a suspensão do acesso externo ao sistema.
O Tribunal Regional Federal da 6ª Região (TRF6) também informou ter bloqueado o acesso ao sistema de processo judicial eletrônico e ao SEI pelo mesmo motivo.
O g1 contatou o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) para saber se as falhas atingem seus sistemas e se há possíveis efeitos nas eleições deste ano. A reportagem ainda aguarda retorno.
Sites fora do ar em outros países
Órgãos governamentais e empresas de diversos países também tiraram sites do ar na quarta-feira, logo após a divulgação das falhas. A Agência de Segurança Nacional dos Estados Unidos (NSA) recomendou que as organizações corrigissem os problemas sem demora ou desligassem os sistemas vulneráveis.
Na França, páginas de administrações locais, entre elas a da Prefeitura de Polícia de Paris, saíram do ar a partir da tarde de quarta-feira, por solicitação da Agência Nacional de Cibersegurança francesa. Segundo o Ministério do Interior, a decisão foi tomada após a "detecção de uma vulnerabilidade crítica de segurança".
As falhas foram comunicadas pela primeira vez em agosto deste ano pela empresa de segurança Calif e pela OpenAI, dona do ChatGPT, que as identificaram de forma independente no mesmo dia. Depois, a Wiz, empresa de segurança em nuvem, afirmou ter encontrado outras formas de explorar essas vulnerabilidades.
A Wiz declarou ter usado os modelos de IA Gemini 4 Argon, do Google, e GPT-5.6 Sol, da OpenAI, para identificar as vulnerabilidades no PHP.
Ao explicar o cenário, a empresa disse: "Por mais de uma década, essas vulnerabilidades críticas permaneceram sem resposta porque a descoberta e exploração de vulnerabilidades eram incrivelmente complexas [sem o uso da IA]".