Com a expansão dos pagamentos feitos por QR Code (código de barras bidimensional lido pela câmera do celular), criminosos encontraram nesse recurso uma forma de desviar valores pagos por clientes. Os códigos falsos funcionam como isca para levar o dinheiro a destinos errados.
A modalidade é chamada de quishing, termo que mistura QR Code e phishing (técnica de fraude que se passa por empresa ou instituição confiável para enganar a vítima). Nesse golpe, os fraudadores alteram QR Codes já existentes ou criam novos, com o objetivo de conduzir o pagamento a contas sob controle deles.
Esse tipo de fraude pode acontecer na internet e também em lojas, bares e outros estabelecimentos presenciais. No comércio eletrônico, por exemplo, o código usado no pagamento pode ser trocado sem que a tela ou os dados do pedido mostrem qualquer mudança perceptível.
Quem paga acredita que o valor vai para o vendedor, mas, na prática, a quantia segue para um destinatário diferente.
Há ainda golpistas que montam páginas fraudulentas com aparência de sites de lojas conhecidas, numa tentativa de induzir o consumidor a concluir a compra.
Como os golpes acontecem
Nos estabelecimentos físicos, como bares, restaurantes, feiras e estacionamentos, a fraude costuma envolver adesivos com QR Codes falsos colocados por cima dos códigos verdadeiros fornecidos pelos comerciantes.
Assim, a pessoa imagina estar pagando pelo serviço consumido, quando, na verdade, o dinheiro é transferido para uma conta dos golpistas.
Boletos impressos com QR Code também são usados nesse tipo de crime. Nesses casos, o documento é adulterado e o código original dá lugar a outro, que encaminha o pagamento para uma conta diferente daquela prevista.
O principal cuidado é verificar, no aplicativo da instituição financeira, quem vai receber o dinheiro e qual é o valor antes de confirmar a operação. Caso esses dados não batam com a compra ou com o estabelecimento, a transação não deve ser concluída.
A orientação inclui também examinar o próprio código antes de fazer a leitura em lojas físicas e desconfiar de adesivos colados sobre outros ou de qualquer sinal de adulteração.
Segundo Mielle, checar os dados de quem receberá o pagamento é uma forma eficaz de identificar fraudes antes que o dinheiro seja enviado.
Como se proteger de golpes com QR Code
- Revise as informações do pagamento: antes de validar a transação no aplicativo do banco, veja o nome do destinatário e o montante.
- Prefira lojas oficiais: verifique o endereço do site antes de fazer qualquer compra online.
- Desconfie de links: evite iniciar compras a partir de atalhos enviados por mensagens, e-mails ou redes sociais.
- Examine o QR Code: em lojas presenciais, desconfie de etiquetas sobrepostas e de qualquer marca de manipulação.
- Cheque boletos impressos: mesmo com aparência autêntica, compare os dados do beneficiário exibidos pelo aplicativo.
- Não finalize pagamentos com dados divergentes: se o aplicativo mostrar informações que não combinam com a compra ou com o local, cancele a operação.
- Cuidado com promessas tentadoras: fique alerta também para abordagens que pressionem por um pagamento imediato.