Caso ligado ao regime de Assad

Hacker sírio por trás de tuíte falso que causou queda de US$ 136 bilhões no mercado é condenado a 42 meses de prisão

Ahmad Umar Agha, hacker sírio conhecido como “Th3Pr0”, foi condenado a 42 meses de prisão por sua participação em uma conspiração de invasões contra veículos de imprensa ocidentais, organizada por integrantes do círculo íntimo do ex-presidente Bashar al-Assad.


Swati Khandelwal Sexta - 30 de Outubro de 2026 às 17:02
The Hacker News

Ahmad Umar Agha, hacker sírio da Syrian Electronic Army conhecido na internet como “Th3Pr0”, foi condenado por um tribunal federal dos Estados Unidos a 42 meses de prisão por seu papel em uma conspiração de invasões que tinha como alvo veículos de imprensa ocidentais.

A conspiração foi organizada e liderada por integrantes do círculo íntimo do ex-presidente sírio Bashar al-Assad, incluindo o comandante da Diretoria Geral de Inteligência da Síria, informou o Departamento de Justiça dos EUA em 29 de outubro.

O grupo pró-Assad Syrian Electronic Army começou suas invasões em 2011. Seus integrantes enviaram e-mails de phishing (golpes que se passam por mensagens legítimas para roubar dados) a fim de obter senhas de funcionários e, em seguida, usaram essas senhas para desfigurar sites, redirecionar o tráfego da web e sequestrar contas de redes sociais, segundo uma declaração juramentada do FBI (Departamento Federal de Investigação) de 2014.

Em 23 de abril de 2013, o grupo invadiu a conta da Associated Press no Twitter e publicou uma notícia falsa de que o presidente Barack Obama havia ficado ferido em duas explosões na Casa Branca.

A mensagem do Twitter confirmando a redefinição de senha dessa conta foi enviada a uma conta do Gmail usada principalmente por Agha, segundo a declaração juramentada.

O Departamento de Justiça afirmou que Agha realizou essa invasão, que causou uma queda temporária de US$ 136 bilhões no valor das ações do índice Dow Jones Industrial Average. Posteriormente, Agha disse ao Business Insider que a grande queda do Dow “era nosso objetivo daquela invasão” e que “foi uma grande vitória para nós”.

Agha foi acusado pela primeira vez em junho de 2014, em uma denúncia que permaneceu sigilosa até março de 2016. Naquele mês, o FBI incluiu ele e o corréu Firas Dardar na lista Cyber’s Most Wanted, com recompensa de US$ 100 mil. Um grande júri federal indiciou os dois homens em maio de 2018.

O Court Watch informou em dezembro de 2025 que Agha estava sob custódia dos EUA e havia comparecido a um tribunal federal no mês anterior.

Três documentos públicos anteriores do caso não descrevem autoridades sírias organizando ou liderando o grupo: a declaração juramentada do FBI de 2014, o anúncio de acusações de março de 2016 feito pelo Departamento de Justiça e seu anúncio de maio de 2018 sobre o indiciamento.

No anúncio de 2016, o departamento afirmou que o grupo agiu “em apoio” ao governo sírio.

Um estudo inicial sobre o grupo, publicado pela OpenNet Initiative, não encontrou evidências confiáveis que ligassem diretamente os invasores ao governo sírio, além do apoio tácito que qualquer grupo precisaria para operar em redes da Síria.

Ao anunciar a sentença, o departamento também afirmou que a conspiração coletou informações para o governo de Assad, que caiu em dezembro de 2024. “Agha usou suas habilidades de invasão a serviço do regime de Assad para silenciar reportagens sobre as atrocidades do regime, intimidar seus opositores e incitar militares dos EUA a recusar suas ordens”, disse John A. Eisenberg, procurador-geral assistente para Segurança Nacional.

Ao todo, Agha invadiu cerca de 47 veículos de imprensa ocidentais, empresas, organizações sem fins lucrativos e órgãos governamentais dos EUA e de países aliados, segundo o departamento.

Ele conseguiu acesso à empresa que hospedava o site de recrutamento do Corpo de Fuzileiros Navais dos EUA e redirecionou seus visitantes para uma imagem que incentivava os fuzileiros a recusar ordens e a lutar ao lado do Exército sírio. Cerca de 3.500 possíveis visitantes viram essa imagem em vez de material de recrutamento.

Ele também tentou duas vezes assumir as redes sociais da Casa Branca, roubando senhas de e-mail de integrantes da equipe. Em uma delas, conseguiu acessar o e-mail de um funcionário, mas não conseguiu enganar outros integrantes da equipe para que lhe dessem acesso.

A declaração juramentada do FBI descreve que o grupo invadiu a conta de e-mail pessoal de um integrante da equipe da Casa Branca em julho de 2013 e afirma que nenhuma conta oficial da Casa Branca foi comprometida.

Muitas vítimas gastaram somas elevadas com limpeza e atualizações de segurança, segundo documentos judiciais citados pelo departamento. Uma empresa que fornece conteúdo, anúncios e links para editores online perdeu cerca de US$ 35 mil por dia durante aproximadamente seis meses. Uma organização global sem fins lucrativos perdeu US$ 480 mil, incluindo cerca de US$ 250 mil em novas ferramentas de monitoramento de rede, e precisou treinar mais de 800 integrantes da equipe.

Dardar continua foragido, segundo o departamento. Ele também foi acusado em um caso separado junto com Peter Romar, cidadão sírio que morava na Alemanha na época. Romar foi extraditado para os EUA e se declarou culpado em 2016.

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