Os protestos, no que os manifestantes chamaram de "Dia da Ira", terminaram em violência e quatro mortes, além de vários feridos e pelo menos 200 detidos. O governo prometeu coibir novos protestos, mas eles seguiam nesta quarta no Cairo e em Suez, e houve novas confrontos entre manifestantes e polícia.
"Acreditamos que a troca aberta de informações e opiniões beneficia sociedades e ajuda os governos a terem um contato melhor com o povo", escreveu a empresa de microblogs, ao confirmar a ocorrência do bloqueio do serviço. O bloqueio havia sido anunciado por um site especializado nos Estados Unidos.
De acordo com o herdict.org, que monitora a acessibilidade de sites pelo mundo, era impossível usar o site de microblogs -que permite trocar mensagens de 140 caracteres no máximo- a partir do Egito.
Relatos no próprio Twitter nesta quarta-feira falavam que a rede social Facebook também estava bloqueada no país. O site de microblogs, assim como a rede social Facebook, desempenhou um importante papel de transmissão de informações na revolta popular que causou a saída do presidente da Tunísia, Ben Ali, após 23 anos de governo.
Os protestos tunisianos inspiram a atual revolta egípcia contra o governo Mubarak, e entidades como a Juventude do 6 de Abril usaram a ferramenta para divulgar e organizar os protestos..
Governo alerta
O governo proibiu novos protestos e fez ameaças.
"Nenhum movimento provocativo ou reunião ou organização de marchas ou manifestações será tolerado, e medidas legais imediatas serão tomadas, e os participantes serão entregues às nossas autoridades investigativas", disse o Ministério do Interior, segundo a agência estatal de notícias Mena.
Repercussão
"Milhares de pessoas se manifiestam contra o poder, o desemprego, a inflação e a corrupção, e pedem a saída do governo", era a manchete do jornal Al Masri al Yom. Outro diário, o Al Shoruq, afirmou em sua capa: "Egito em cólera toma as ruas". "Um vulcão de ira entrou em erupção nas ruas do Cairo", escreveu. A imprensa oficial, por outro lado, minimizou o impacto dos protestos.
No exterior, multiplicam-se os apelos por reformas no Egito, destacando-se o papel moderador do país no conflito árabe-israelense. Para Catherine Ashton, chefe da diplomacia da União Europeia, as manifestações são um "sinal" do anseio de milhares de egípcios por uma "mudança política" no país.
Além disso, destacou que as autoridades egípcias deveriam "escutar" os manifestantes, "respeitando e protegendo o direito" do povo de "manifestar suas aspirações políticas através de passeatas pacíficas". A Casa Branca disse que o governo egípcio deve ser "sensível" às aspirações da população, e afirmou que o presidente deve "levar a cabo reformas políticas econômicas e sociais".
O Egito foi o primeiro país árabe a assinar um acordo de paz com Israel, em 1979. Cerca de 40% dos 80 milhões de habitantes vivem com menos de US$ 2 por dia, e um terço da população é analfabeta.