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A aposta da Apple ao lançar iPhone dobrável

Em sua segunda semana no comando da Apple, John Ternus apresentou o iPhone Duo, primeiro modelo dobrável da marca e o mais caro já lançado pela empresa, em evento realizado na quarta-feira (9/9).


Kali Hays, Lily Jamali Quinta - 10 de Setembro de 2026 às 13:39
G1 Tecnologia
Cortesia da Apple (via BBC)
1 de 3 Críticos dizem que a Apple mudou pouco o design do iPhone desde o lançamento, em 2007

A segunda semana de John Ternus à frente da Apple foi marcada por uma estreia de peso. O novo presidente da empresa subiu ao palco nesta quarta-feira (9/9), durante o tradicional evento anual de lançamentos, para apresentar o que a própria companhia considera a maior revolução estética do iPhone desde a chegada do primeiro modelo, há quase 20 anos.

Cortesia da Apple (via BBC)
1 de 3 Críticos dizem que a Apple mudou pouco o design do iPhone desde o lançamento, em 2007

Ternus assumiu o cargo mais alto da Apple no lugar de Tim Cook e escolheu justamente o palco do evento para revelar ao mundo o iPhone Duo, primeiro smartphone dobrável da marca. Com visual que lembra um caderno, o aparelho é o maior e também o mais caro já produzido pela empresa.

Preços e disponibilidade

Nos Estados Unidos, o Duo parte de US$ 1.999, valor que pode chegar a US$ 3.200 nas versões mais completas. No Brasil, a pré-venda está marcada para 16 de outubro, com preços a partir de R$ 21.999.

Segundo a Apple, o projeto do telefone dobrável vinha sendo desenvolvido internamente havia vários anos. Quando aberto, o Duo se assemelha a um iPad compacto; fechado, lembra um iPhone mais largo.

Posicionamento no mercado

Durante a apresentação, Ternus afirmou que a empresa buscou se distanciar da aparência e da experiência oferecida por outros smartphones dobráveis já disponíveis, que, em sua avaliação, "parecem dois telefones colados um ao outro… fazendo uma tela maior parecer muito menor".

Para o executivo, o Duo é resultado de "uma série de inovações extraordinárias que vão redefinir a experiência de usar um telefone dobrável". Ternus acompanhou de perto o desenvolvimento do produto antes de assumir a presidência, depois de anos como um dos principais líderes da divisão de hardware da Apple.

Ben Wood, analista-chefe da CCS Insight, empresa de pesquisa em tecnologia, avaliou que a promoção de Ternus provavelmente foi planejada para "coincidir com o que será, possivelmente, um dos maiores lançamentos do iPhone em muitos anos". Já Carolina Milanesi, analista da Creative Strategies, afirmou que o destaque dado ao novo CEO fez parecer "quase como se ele próprio fosse um produto".

Resposta às críticas e desafios

A reformulação do iPhone pode representar uma resposta às críticas de que a Apple não havia conseguido emplacar um grande sucesso nem apresentar uma inovação de impacto desde 2007, ano de lançamento do primeiro iPhone.

Até então, o maior preço inicial registrado pela linha era de US$ 900. Na mesma quarta-feira, a empresa também anunciou os novos iPhone 18 Pro e 18 Pro Max, vendidos nos Estados Unidos a partir de US$ 1.199 e US$ 1.299, respectivamente. No Brasil, os valores partem de R$ 11.999 e R$ 12.999.

Chatterjee, analista da Forrester, lembrou que o iPhone dobrável pode repetir o caminho do headset Vision Pro, lançado por US$ 3.699 e que não chegou a conquistar o consumidor, nem é vendido oficialmente no Brasil. Por outro lado, pode se tornar o próximo Apple Watch: menos popular que o iPhone, mas adquirido por milhões de pessoas anualmente.

Outro entrave possível é o hábito já consolidado dos consumidores com o formato tradicional do iPhone. "Os dobráveis são aparelhos interessantes. Muita gente fica curiosa, mas existe de fato uma curva de aprendizado, tanto no software quanto na adaptação necessária para passar de um telefone tradicional para um dobrável", observou Milanesi.

Wood destacou que os smartphones dobráveis vendidos hoje por marcas como Samsung e Huawei respondem por apenas 2% do mercado de smartphones. Mesmo com a chegada da versão da Apple, que deve ampliar o interesse pelo segmento, a expectativa é de que os dobráveis representem apenas 4% do total na próxima década, segundo projeções da FDM CCM Insight.

Inteligência artificial e privacidade

O iPhone é o carro-chefe da Apple e responde por mais da metade das vendas anuais da companhia. Nos últimos trimestres, a empresa vinha comemorando o fato de a procura pelo aparelho ter atingido patamares inéditos, com a versão mais recente se tornando o lançamento de maior sucesso da história da marca.

Durante o evento, a Apple também trouxe mais detalhes sobre o relançamento de sua assistente de voz, agora chamada Siri AI. A partir do iPhone 18, a ferramenta poderá consultar diferentes dados armazenados no aparelho, como mensagens e e-mails, para localizar informações, responder perguntas e executar tarefas em nome do usuário.

Alguns recursos da Siri AI estarão disponíveis também no novo Apple Watch, incluindo a possibilidade de registrar conversas e transcrevê-las, quando o usuário ativar a função.

Ternus classificou os novos recursos de inteligência artificial do iPhone como uma "central pessoal inteligente" e reconheceu que a Apple passará a lidar com "os detalhes mais privados da sua vida cotidiana". O executivo garantiu, porém, que essas informações permanecerão protegidas. Segundo ele, muitos recursos de IA funcionarão diretamente no aparelho, sem repasse a empresas terceirizadas. Quando for necessário recorrer a um serviço externo, os dados ficarão resguardados em servidor remoto, a chamada nuvem.

"Outros veem esses dados como algo a ser coletado e armazenado. Aqui, nem mesmo a Apple consegue acessar o que é seu", afirmou Ternus.

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