Justiça

US$ 1,4 tri: Meta diz que valor em processos sobre vício 'não têm fundamento'

Em documento judicial, a Meta Plataformas afirma que quatro estados pedem multas de cerca de US$ 1,4 trilhão em ações que acusam a empresa de projetar Facebook e Instagram para viciar jovens. Valor se aproxima da capitalização de mercado da companhia e será discutido em julgamento em Oakland, Califórnia.


Terça - 07 de Julho de 2026 às 18:25
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Em documento judicial, a Meta Plataformas afirma que quatro estados pedem multas de cerca de US$ 1,4 trilhão em ações que acusam a empresa de projetar Facebook e Instagram para viciar jovens. Valor se aproxima da capitalização de mercado da companhia e será discutido em julgamento em Oakland, Califórnia.

A Meta Plataformas, controladora do Facebook e do Instagram, protocolou nesta semana um documento judicial no qual sustenta que quatro estados norte-americanos estão pleiteando, de forma conjunta, sanções da ordem de US$ 1,4 trilhão. As ações alegam que a companhia teria projetado suas redes sociais para criar dependência em adolescentes e teria传播ificado a opinião pública sobre a segurança desses ambientes digitais.

O montante foi detalhado pela empresa na resposta a pedidos dos procuradores-gerais, que queriam definir a metodologia de cálculo das eventuais penalidades caso vencessem a disputa. O número, mantido em sigilo até agora, equivale praticamente ao valor de mercado da Meta, avaliada em aproximadamente US$ 1,5 trilhão.

Próximo julgamento

O processo reúne queixas da Califórnia, do Colorado, do Kentucky e de Nova Jersey e tem audiência prevista para agosto, em Oakland, na Califórnia. Em outro trecho do mesmo processo, 29 estados acusam a Meta de violar a Lei de Proteção da Privacidade Online das Crianças (COPPA, na sigla em inglês), que proíbe a coleta de dados de menores sem autorização dos responsáveis.

Para a Meta, porém, as cifras pedidas pelos estados não se sustentam. "Uma sanção dessa magnitude não tem paralelo na história da aplicação das leis de proteção ao consumidor", escreveu a companhia. Em nota à imprensa, a empresa classificou os números como "absurdos" e afirmou que "os cálculos dos demandantes não têm fundamento em fatos ou na lei".

Estratégia de defesa

Na peça judicial, a Meta também argumenta que o chamado "vício em redes sociais" não é reconhecido como transtorno psiquiátrico, o que inviabilizaria a tese de que a empresa enganou usuários ao negar o caráter viciante de suas plataformas. A companhia sustenta ainda que os procuradores-gerais não apresentaram provas concretas de publicidade enganosa.

O caso será analisado pela juíza distrital Yvonne Gonzalez Rogers, que no mês passado já havia negado um pedido da Meta para extinguir o processo. Na decisão, a magistrada entendeu que ainda existem controvérsias factuais sobre se as plataformas foram desenhadas para causar dependência e se a empresa direcionou seus produtos "parcialmente" ao público infantil.

Após essa decisão, o procurador-geral da Califórnia, Rob Bonta, acusou a Meta de colocar o lucro acima da proteção de crianças e adolescentes, prometendo responsabilizar a empresa "integralmente" por seu papel na crise de saúde mental entre jovens.

Outras ações e precedentes

Além dos 29 estados que processam a Meta na esfera federal, outros 14 ingressaram com queixas baseadas em legislações próprias, cujo julgamento está marcado para fevereiro. O Novo México foi pioneiro ao levar o caso a júri popular e obteve, em março, indenização de US$ 375 milhões após o tribunal entender que a empresa enganou consumidores locais. Um juiz do estado ainda analisa a segunda fase da ação, que pede indenizações complementares e mudanças no Instagram, no Facebook e no WhatsApp.

As mesmas frentes de batalha jurídica atingem outras gigantes da tecnologia. Snap Inc., YouTube e sua controladora Alphabet, além de TikTok e sua matriz ByteDance, respondem a milhares de processos sob a alegação de que desenvolveram, de forma deliberada, ferramentas que viciam crianças e adolescentes, contribuindo para a crise de saúde mental na faixa etária.

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